A crise afetou o setor do desporto em geral e não apenas a Tempo Livre

Os vimaranenses ficaram a saber, esta semana, pela comunicação social, que a atividade da Tempo Livre teve uma quebra muito significativa do número de utentes nas suas instalações. Ninguém ficou surpreendido com a divulgação da análise do Centro de Estudos do Desporto de Guimarães (CEDG),  face ao quadro em que vivemos desde março de 2020, esta é a realidade com que vivem todas as coletividades desportivas.

Que a prática desportiva de lazer, bem-estar e de formação caiu a pique, com resultados catastróficos para a saúde das pessoas, para a formação dos jovens e para a saúde financeira das coletividades, isso, infelizmente, não é novidade. Aquilo que não se compreende é porque é que a Autarquia, em face deste problema, ainda não desencadeou medidas de apoio.

A realidade é tão esmagadora que não é preciso falar com presidentes de clubes, qualquer agente, desde os próprios atletas, passando pelos pais, treinadores e diretores, pode confirmar que, na grande maioria dos casos, a atividade esteve em grande medida parada. No momento em que foi possível retomar as atividades, as épocas desportivas estavam perdidas. Na grande maioria dos casos, os clubes optaram por preparar a época seguinte. Os próprios pais e atletas que nas pequenas coletividades são chamados a fazer parte do investimento optaram por não avançar este ano.

Além disso, com os sucessivos confinamentos de pessoas individuais e, por vezes de turmas inteiras, necessários para conter a pandemia, as famílias ainda não encontraram a estabilidade necessária para retomar as suas atividades normais. A somar a isto, há aqueles que foram afetados na sua vida financeira porque perderam o emprego, ou porque viram o seu negócio encerrado. Mais, não nos podemos esquecer que, numa primeira fase, a covid-19 afetou principalmente os mais velhos que ainda terão algum medo, naturalmente, de retomar as suas atividades habituais.

Para fazer face a estes problemas, em 2020, a Tempo Livre recebeu um reforço de 632 mil euros do Município, um acréscimo de 60% sobre o financiamento corrente da Cooperativa pela Câmara. Este aumento da comparticipação da Câmara é compreensível e justificável num quadro em que era expectável que a atividade da Tempo Livre fosse altamente deficitária.

 O que não se compreende é que, para as dezenas de clubes do concelho, o vereador do desporto tenha anunciado um programa de 60 mil euros, ou seja, 10% do que foi atribuído à Tempo Livre. Alguns clubes muito relevantes, como o Vitória Sport Clube, com as suas 14 modalidades amadoras e centenas de atletas de formação, não foram sequer contemplados neste programa.

Foi por perceber o quadro de profunda crise em que estava o setor que, logo em setembro de 2020, a Coligação propôs a adoção de um Programa Extraordinário de Apoio ao Desporto. Era visível que os clubes tinham uma forte redução das suas receitas, sem que as despesas tivessem baixado em proporção. As rendas, os créditos, as contas de água, luz, comunicações e os salários, continuaram a ser pagos.

Chegados a julho de 2021, sem que nada tenha sido feito, é a Cooperativa que gere a oferta municipal de desporto, através de uma análise realizada pelo seu Centro de Estudos, que vem alertar para a situação debilitada do setor. A Coligação Juntos por Guimarães espera que o vereador com responsabilidades na área do desporto e Domingos Bragança ouçam as palavras do presidente da Tempo Livre, Amadeu Portilha, e percebam que elas se aplicam ao setor em geral. A Coligação Juntos por Guimarães reitera a necessidade de um Programa Extraordinário de Apoio ao Desporto, acompanhado de uma forte campanha de promoção da prática de desporto informal, generalizado a toda a população.

A Coligação está disposta a colaborar numa solução de apoio à generalidade das coletividades do concelho afetadas pela situação que vivemos.

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